A tecnologia evolui a passos muito largos desde meados do século passado. Entretanto, foi na virada do milênio, com a popularização da internet, que os avanços tecnológicos ganharam ritmo, intensidade e abrangência inimagináveis. Todas estas características transformaram radicalmente as relações, o consumo, o trabalho, e também, o nosso jeito de viver.

Vivemos na era das transformações e das tecnologias exponenciais, mas vale reforçar que ainda estamos apenas no começo; tecnologias como:

  • Biotecnologia
  • Blockchain
  • Inteligência artificial
  • Robótica 

Estas e outras trazendo inovações e transformações para a sociedade e mercado de trabalho e reinventando todos os segmentos. Outras mudanças, ainda mais velozes e disruptivas, estão por vir.

A expectativa de vida aumenta progressivamente

Adicionalmente, já se sabe que a expectativa de vida não só dos brasileiros, mas de todo o mundo têm aumentado de forma progressiva, o que reflete em discussões acerca de uma aposentadoria tardia, fazendo com que todos nós passemos ainda mais anos inseridos no mercado de trabalho.

Diante desse cenário, aqueles tradicionais modelos de educação em que:

  1. Os alunos formalmente se preparam ao longo da educação básica;
  2. Para então ingressar no ensino superior;
  3. E, posteriormente pensar numa pós graduação, têm sido amplamente questionado.

Aquela ideia de que exercerão a mesma função, ou trabalharão em poucas empresas ao longo de toda a vida está mais do que ultrapassado. E as discussões de carreira, propósito de vida e felicidade vêm contribuindo fortemente para este universo.

São inúmeras as mudanças que são observadas, e se faz mais do que necessário manter o aprendizado de todas as pessoas em modo contínuo ao longo da vida, permitindo com que as pessoas adaptem suas vidas e carreiras às exigências do mercado de trabalho, das novas tecnologias, e mesmo das carreiras que ainda irão surgir em virtude de demandas que pouco (ou não) conhecemos.

A busca por um padrão que se adeque para todos e para todas a situações se torna um esforço em vão, pois vivemos hoje na era de tempos exponenciais, contudo mantendo nosso pensamento linear. Continuamos em busca da fórmula perfeita, da receita de bolo que nos garantirá o sucesso.

É hora de mudar o modelo mental

Para se preparar para todos os desafios constantes e voláteis da revolução digital, precisa-se minimamente:

  • Romper as amarras das convenções;
  • Compreender a aprendizagem não como uma tarefa realizada em alguns anos, muito menos durante uma fase específica da nossa vida. E sim, como um projeto de longo prazo que se inicia logo na primeira infância e sem data para acabar.

O conceito lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida, se tornou um imperativo dos novos tempos, como bem mostra a revista The Economist, na capa de 12 de janeiro.

Habilidades e competências são a chave para o sucesso

Muitas das competências valorizadas e exigidas nos dias atuais não estão disponíveis em cursos de extensão, de pós-graduação ou de formação continuada. Muito menos em outra faculdade ou numa nova carreira.

Habilidades super valorizadas e discutidas como mandatórias como criatividade, capacidade de resolução de problemas, empatia, curiosidade e vontade de aprender. As chamadas soft skills, ou competências socioemocionais são cada vez mais relevantes para a vida e o trabalho.

Melhor do que tentar adquirir essas habilidades na vida adulta é estimulá-las em todas as crianças desde cedo.

A preparação para os novos tempos pode – e deve – começar na sala de aula e o mais cedo possível. É importante que pais e educadores se concientize de que para produzirmos pessoas bem sucedidas, realizadas e capazes de criar e co-criar no mundo atual, todos nós teremos que estudar ao longo de toda. Dessa forma, o aprender a re-aprender se torna fundamental.  

Porque não vivemos só uma época de mudanças, mas uma mudança de época!