A tecnologia evolui a passos muito largos desde meados do século passado. Entretanto, foi na virada do milênio, com a popularização da internet, que os avanços tecnológicos ganharam ritmo, intensidade e abrangência inimagináveis, o que transformou radicalmente as relações, o consumo, o trabalho e também, o nosso jeito de viver. Outras mudanças, ainda mais velozes e disruptivas, estão por vir.

Vivemos na era das transformações e das tecnologias exponenciais, mas vale reforçar que ainda estamos apenas no começo. Tecnologias como blockchain, inteligência artificial, biotecnologia, robótica, ainda caminham para trazer cada vez mais inovações e transformações para nossa sociedade e para o mercado de trabalho, reinventando diversos segmentos.

Numa reflexão adicional, já sabemos que a expectativa de vida não só dos brasileiros, mas de todo o mundo vem aumentando de forma progressiva, e já observamos diversas discussões acerca de uma aposentadoria mais tardia, fazendo com que todos nós passemos ainda mais anos vivenciando o mercado de trabalho, uma realidade que já experenciamos e que se intensificará nos próximos ciclos.

Diante desse cenário, nos resta uma certeza: os tradicionais modelos de educação, em que os alunos formalmente se preparam na educação básica para então ingressar no ensino superior e posteriormente pensar numa pós graduação, vêm sendo constantemente questionados, em virtude de prepararmos as pessoas com aquela ideia de que ela exercerá uma mesma função, e mesmo trabalhará em uma, duas ou três empresas ao longo de toda a vida.

São inúmeras as mudanças que são observadas, e se faz mais do que necessário manter o aprendizado de todos em modo contínuo ao longo da vida, permitindo com que as pessoas adaptem suas vidas e carreiras às exigências do mercado de trabalho, das novas tecnologias, e mesmo das carreiras irão surgir em virtude de demandas que ainda nem conhecemos.

A busca por um padrão que se adeque para todos e para todas a situações se torna um esforço em vão, pois vivemos hoje na era de tempos exponenciais, contudo mantendo nosso pensamento linear. Continuamos em busca da fórmula perfeita, da receita de bolo que nos garantirá o sucesso.

É chegada a hora de mudarmos nosso modelo mental!

Uma maneira de se preparar para os desafios constantes e voláteis decorrentes da revolução digital  é romper com as amarras das convenções e passar a compreender a aprendizagem não como uma tarefa que deve ser realizada em um número determinado de anos, durante uma fase específica da nossa vida, mas como um projeto de longo prazo que começa na primeira infância e não tem data para acabar.

O conceito lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida, se tornou um imperativo dos novos tempos, como bem mostra a revista The Economist, na capa de 12 de janeiro.

Muitas das competências valorizadas e exigidas nos dias atuais não estão disponíveis em cursos de extensão, de pós-graduação ou de formação continuada; nem em outra faculdade ou numa nova carreira. Habilidades super valorizadas e discutidas como mandatórias como criatividade, capacidade de resolução de problemas, empatia, curiosidade e vontade de aprender. As chamadas soft skills, ou competências socioemocionais são cada vez mais relevantes para a vida e o trabalho.

Melhor do que tentar adquirir essas habilidades na vida adulta é estimulá-las nas crianças desde cedo.

A preparação para os novos tempos pode – e deve – começar na sala de aula. O quanto antes, e é de suma importância que os educadores e pais de hoje tenham a consciência de que para produzirmos pessoas bem sucedidas, realizadas e capazes de criar e co-criar no mundo atual, todos nós – crianças, jovens e adultos – teremos que estudar ao longo de toda. Dessa forma, o aprender a re-aprender passa a ser imprescindível.  

Porque não vivemos só uma época de mudanças, mas uma mudança de época!